quarta-feira, 4 de março de 2020

Quando achar ter chegado ao fim, ainda não é o fim.



Alguns meses sem escrever, como o tempo passou rápido e como tantas coisas aconteceram. Passei por tantos momentos de janeiro até agora março, que acreditei não aguentar tamanha luta entre minha alma x meu espirito, minhas ideias do que é correto e do que estaria acontecendo comigo.

O titulo do texto parece sugestivo, mas foi vivido cada letra, cada virgula, cada pausa.

Como nos diz a Palavra do Senhor " Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que possais suportar."

quando sua dor é tão latente que você ache que não consiga suportar, olhe exclusivamente para a Palavra de Deus, com certeza ela te susterá, foi o que me susteve estes meses e ainda está me sustendo, me relembrando das promessas e do amor incondicional de Jesus.

Comecei o ano buscando mais a Presença do Senhor, achando que estava tudo bem, minha consciência de auto- integridade estava ok, seguindo o fluxo como dizem a galera do seculo XXI. Algo no meu interior me cobrava, que havia algo por resolver internamente, mas como eu iria parar para resolver isto, algo que para este mundo, este tempo presente é tão comum, tão natural. Do que falo, de uma relação sem compromisso, de uma relação sexual fora do casamento que dentro da palavra de Deus, é pecando, chama- se fornicação. Eu tentei de alguma forma, me arrepender, contar a uma amiga, fora do meu circulo de amizade cotidiana, mas não parei para tal e seguir os dias. Isto adormeceu em mim, continuei participando dos trabalhos da igreja, tomando ceia, cantando no ministério de louvor da igreja.

Não, dei sequência a este pecado, aconteceu só uma vez pela vontade do parceiro, por mim como estava tão fora da palavra de Deus. Como ficamos cegos quando o pecado nos domina.

Em um culto normal de domingo, sou chamada a sala pastoral para uma conversa, e em minha mente nem se quer imaginava do que se tratava, olha minha alma me sugerindo que seria a respeito da viagem missionaria que faria a Africa, que seria o pastor me chamando para me apoiar  na viagem, me abençoar, por que como disse, tudo o que havia acontecido era alguns meses antes, e em gestão de outro pastor.

Ao entrar na sala pastoral uma das primeiras perguntas que ouvi foi : Você sabe por que te chamei aqui? Eu respondi não tenho a minima ideia, foi então que tive a sensação de mundo caindo, de uma queda de pressão brusca, de um taquicardíaco, uma vergonha e sensação de impotência sem fim. Meu pastor me disse, o fulano de tal, nos procurou e nos informou o que aconteceu entre vocês, mesmo sendo na gestão anterior, é algo que não pode ficar sem disciplina, por que " O Pai corrige o filho que ama". Ninguém tem noção do que foi tudo isso pra mim, eu não conseguir falar o que queria, não tive tempo para pensar em nada, que tristeza e vergonha meu Deus!.

Eu fui extremamente veraneável e sincera ao pastor e sua esposa e mais tres pessoas ali presente na sala pastoral, disse: Eu sou muito pior que isso pastor, não caí em fornicação só com este rapaz não, antes dele namorei alguns meses e fornicava também. O pastor me disse, com tudo que aconteceu, me informe os trabalhos que você participa, fui listando um a um, e então recebi a minha " sentença", a pior delas além da exclusão do ministério do louvor e evangelismo, foi a proibição da ceia. Isso para mim foi o " fim".

Eu concordei, disse amém, recebi uma oração e uma frase assim " Não desvia". Sai da sala anestesiada e voltei para a ministração da palavra, no culto.Como se concentrar em mais uma palavra e mais em alguma coisa, se o que vinha em minha mente era somente a palavra " o fulano veio falar comigo", confesso que durantes algumas semanas tudo o que eu conseguia pensar era nesta frase.

Com o passar dos dias minha ficha foi caindo e eu me deparei com a seguinte indagação, por que o fulano de tal, não estava presente no momento em que meu mundo caiu? Por que ele não foi chamado a sala pastoral também, já que não pequei neste ato sexual sozinha? Porque eu fui excluída das minhas atividades e ele não? Como essas indagações me corroeram por tempos.

Claro que no mesmo dia, parei o fulano e perguntei, o porque ele não me procurou, o porque ele não veio  me dizer que iria procurar o pastor, ou tentar conversar comigo que aquilo tudo estava lhe fazendo mal. A resposta que obtive não me foi muito convincente, ouvi que o que acontecera o deixou muito mal, no mesmo dia, que se arrependeu, que não conseguiu dormir, que ele não conseguia tocar com a sua consciência o acusando e que imaginou que se fosse conversar comigo eu iria ficar chateada. Como isso é muito sério, quando tratamos da vida do outro, o eu achei, pode ser crucial. Na hora, movida por um êxtase eu nem consegui falar muito, só disse que não iria ficar chateada com ele por ter ido procurar o pastor ou ajudar, mas que só gostaria de saber o que estava acontecendo, que gostaria de sentir que havia uma amizade, uma importância da parte dele, para comigo, ele me pediu " desculpas" e fui para casa sozinha como sempre, tentando manter a cabeça no lugar a calma.

Quem procurar nesta hora, que amigo cristão poderia me mostrar o amor e a misericórdia de Jesus, neste momento tão difícil, por o misto de sensações, pensamentos e acusações. Me lembro só de falar com o Bruno, meu amigo legal, que não estava presente no culto.O mesmo que me disse que queria que saber o que estava acontecendo, mas eu respondi que não poderia contar através de uma aplicativo.

O sentimento de deslealdade, quando você confia e se entrega a uma pessoa, e descobre que quem foi inteiro nesta relação foi só você é muito dolorido, mesmo sabendo que minha total confiança teria que ser em Deus, e não aos homens, ainda mais por se tratar de uma pessoa mais nove, e uma pessoa que não quis ter um relacionamento comigo, também não sei se seria possível, havia mais contras do que a favor. O que eu não queria é aceitar, foi eu não ter participado dos sentimentos da pessoa, por não ter sido no minimo uma colega ou amiga, o qual contamos os sentimentos e medos.

Nada como o tempo, para irmos refletindo, pensando em tudo o que houve, em meios a tantos ressentimentos, eu demorei para pensar no que havia acontecido foi uma desonra com Deus, que na verdade eu havia ferido um fundamento de sua lei, de sua palavra, e que não estava triste por entristecer a Deus, eu estava triste na verdade com minha justiça própria, com meu ego ferido.

O que a palavra de Deus nos diz sobre os pecados de imoralidade, não necessariamente do ato sexual fora do casamento, " Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ( I Tessalonicenses 4: 3-5).

" Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia." ( Gálatas 5:19). Dentre outros versículos e textos na palavra de Deus. A moral de tudo é que não perdi, só uma amizade que não foi leal, não perdi só a reputação, não perdi os cargos ministeriais e não perdi temporariamente a ceia do Senhor, eu estava perdendo a consciência de quem é Deus, perdi a consciência do quanto meu relacionamento com ele estava sendo supérfluo. Eu chorei muito por todos os motivos, mas quando cai em si, que tristeza é não se arrepender dos pecados, que tristeza é não ter intimidade com o Pai, que tristeza é pular alguns versículos, por que aquilo irá ferir o que está errado em nós, mas a palavra de Deus nos diz que " Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós; e por isso se levantara, para se compadecer de vós; porque o Senhor é um Deus de equidade; bem-aventurados todos os que por ele esperam." Deus espera para ter misericórdia de nós, como ele é diferente de nós, como Ele é Santo, e vela por sua palavra.

Os processos por mais dolorosos que sejam, tem o intuito de nos amadurecer, tratar o nosso caráter, e nos aproximar mais do Pai. Temos dois caminhos a seguir, o da amargura, da auto-piedade, ou o da humilhação ao Senhor e o da maturidade.

Minha escolha foi o da humilhação, o do perdão, o da maturidade. Quero crescer em graça e conhecimento, quero ter intimidade com meu Pai, quero perdoar a quebra da amizade e a deslealdade, quero ter uma nova chance de reconstruir minha historia, ido mais profundo, quero que se cumpra os propósitos de Deus pra mim, aqueles pensados na eternidade, por Ele.

Eu decido perdoar todos os dias, lembrando-me da oportunidade de mudar a rota, que o Senhor me concedeu, eu estava condenada por tantos pecados, e ainda peco diariamente, Ele me ajuda, me perdoa, me exorta, me redime, me ajuda. Como posso desprezar tamanhã salvação? Como posso só pensar em momentos de prazer, que passa como o vento? Eu quero mais do céu, quero mais da Trindade.

Hoje quando olho para o meu amigo, que foi um instrumento de amadurecimento, vejo que cresci e creio que ele também cresceu com tudo isso. Pois viu de longe o quanto chorei, o quanto me ausentei, o quando me afastei. Ele irá com certeza em pensar em o quanto o pecado nos detona, o quanto o pecado é doce só no momento, por que depois se torna amargo como o fel.

Umas duas vezes, o Senhor usou um profeta de minha igreja para me dizer, que viria tempos de sofrimentos e dores, que serviram para transformar o meu caráter, eu no fundo não entendia, como poderia Deus querer tratar o meu caráter, se eu estava na igreja, se eu me sentia de Deus, se eu achava que estava bem. Não questione, sempre Deus irá nos tratar, afim de que nos tornamos mais íntimos do Pai, estamos aqui neste mundo dominado pelo pecado, o qual nos rodeia dia a dia. Precisamos da correção também, o evangelio de Cristo não é um convite a mar de rosas, e nem as teologias de prosperidades, nosso lindo Jesus já havia nos falado que teríamos aflições.

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